Radiologia Prática e o Contato com o Paciente: um valor que precisamos resgatar

Esta imagem representa uma brincadeira entre a filosofia e a radiologia do futuro. Vamos nos preparar.
Esta imagem representa uma brincadeira entre a filosofia e a radiologia do futuro. Vamos nos preparar.

Ao longo da minha trajetória, tive o privilégio de acompanhar, de forma muito próxima, uma das maiores transformações da medicina moderna: a informatização e a evolução tecnológica da Radiologia e do Diagnóstico por Imagem.

Sou de uma geração que ainda viveu intensamente os exames contrastados no raio-X, a radiologia mais manual e observacional, e também presenciou, na prática diária, o avanço acelerado que levou a especialidade a um novo patamar — com equipamentos cada vez mais sofisticados, imagens de alta resolução, maior volume de exames e mais informações clínicas a serem interpretadas pelo radiologista.

Atualmente, como coordenador de grandes serviços de radiologia, reconheço o impacto extraordinário que essa evolução trouxe para a precisão diagnóstica, para a capacidade de detecção precoce de doenças e para o suporte às decisões terapêuticas. No entanto, ao mesmo tempo, esse crescimento vem trazendo um desafio silencioso e cada vez mais relevante: a progressiva distância entre a radiologia, o paciente e a história clínica.

Com o aumento expressivo da demanda por exames de imagem, a formação de grandes grupos, a subultraespecialização e a expansão da telerradiologia, muitos fluxos passaram a ser desenhados com foco absoluto em eficiência operacional. Além disso, em diversos serviços, até mesmo os técnicos e tecnólogos têm tido menor contato direto com os pacientes, com aumento de processos baseados em telecomando e execução automatizada de protocolos.

Esse modelo, embora eficiente do ponto de vista logístico, pode comprometer um elemento essencial da medicina diagnóstica: o contexto clínico real.

Na prática, um dos fatores que mais impacta a qualidade do laudo não é apenas a tecnologia do equipamento, mas sim a presença de uma boa anamnese, de um exame físico consistente e de uma hipótese diagnóstica bem construída — pilares clássicos da medicina à beira do leito, tão valorizados pelos grandes mestres da clínica médica.

É importante reforçar: a radiologia não é uma especialidade isolada, e tampouco deve funcionar como uma “linha de produção” de laudos desconectados da realidade clínica. O exame de imagem precisa ser parte integrada do raciocínio médico, e não um recurso solicitado de forma genérica, automática ou sem objetivo claro.

Tenho observado, com frequência, cenários em que os pedidos médicos chegam com informações insuficientes, códigos TUSS incorretos, indicações pouco direcionadas e ausência de dados básicos que influenciam diretamente a interpretação radiológica. Nessas situações, o exame pode ser tecnicamente impecável — porém incapaz de oferecer o verdadeiro diagnóstico, simplesmente porque o ponto de partida foi inadequado.

Outro ponto crítico envolve a dificuldade, em alguns sistemas, de visualizar de maneira clara o pedido médico, os questionários e informações complementares. A ausência de uma anamnese dirigida e de comunicação clínica efetiva aumenta o risco de conclusões menos precisas, maior necessidade de complementações, retrabalho e, em casos mais delicados, possibilidade de atraso em condutas relevantes.

Por esse motivo, acredito que a Radiologia precisa, cada vez mais, resgatar e fortalecer alguns princípios:

•Maior proximidade com o médico assistente, promovendo integração real e troca ativa de informações;

•Valorização da história clínica e do exame físico, entendendo que a imagem sem contexto perde parte do seu valor diagnóstico;

•Reaproximação do paciente e de seus familiares, sobretudo nos cenários onde isso impacta a interpretação e direciona decisões;

•Melhoria contínua de processos, fluxos e comunicação, assegurando que informações essenciais estejam disponíveis antes e durante a análise do exame.

Essa visão não é um retrocesso tecnológico — pelo contrário. Ela é uma evolução conceitual necessária.

O futuro da radiologia será ainda mais avançado. A inteligência artificial, aliada à modernização dos parques tecnológicos e, principalmente, à atualização dos computadores, softwares e integrações entre sistemas, certamente será o próximo grande salto para a especialidade.

Entretanto, nenhum avanço tecnológico substituirá aquilo que sempre sustentou a medicina de excelência: o cuidado baseado em contexto, análise clínica e comunicação de qualidade.

A radiologia tem um potencial enorme de transformar desfechos, reduzir erros e melhorar a jornada do paciente. Para isso, precisamos fortalecer a radiologia como ela deve ser: uma especialidade moderna, precisa e tecnológica — mas profundamente conectada ao raciocínio clínico e ao ser humano por trás do exame.

Radiologia prática é, acima de tudo, radiologia integrada: com o paciente, com a história e com a medicina à beira do leito.

Publicações Recentes

AngioTC de coronária: uma forma de personalizar e acompanhar o tratamento da aterosclerose Como médico que realiza angioTC de coronária há mais de duas décadas, entendo que o maior valor do método não está apenas em identificar estenose significativa. O verdadeiro ganho clínico da angiotomografia coronária é permitir que o médico deixe de trabalhar exclusivamente com probabilidade estatística e passe a visualizar a doença aterosclerótica de forma concreta, individualizada e biologicamente coerente.
AngioTC de coronária: uma forma de personalizar e acompanhar o tratamento da aterosclerose Como médico que realiza angioTC de coronária há mais de duas décadas, entendo que o maior valor do método não está apenas em identificar estenose significativa. O verdadeiro ganho clínico da angiotomografia coronária é permitir que o médico deixe de trabalhar exclusivamente com probabilidade estatística e passe a visualizar a doença aterosclerótica de forma concreta, individualizada e biologicamente coerente.
A avaliação evolutiva por ressonância magnética (RM) do fígado em pacientes com metástases hepáticas de adenocarcinoma de cólon após quimioterapia é um passo fundamental na radiologia oncológica moderna. Em muitos casos, a redução do tamanho da lesão não é suficiente para definir resposta completa, pois lesões residuais podem corresponder a tumor viável, fibrose/cicatriz pós-tratamento ou necrose.
Ablação Guiada Por Imagem

A ablação de uma lesão hepática ou renal pode ser feita por meio da aplicação de calor (radiofrequência ou micro-ondas) ou frio extremo (crioablação). A ablação é melhor indicada para pacientes que possuem tumores pequenos ou não podem ser submetidos a uma cirurgia convencional devido a fatores de saúde, além de poder ser realizado como procedimento misto na abordagem cirúrgica. Além disso, a ablação preserva a função dos órgãos, sendo uma solução menos agressiva na grande maioria dos casos.

Biópsias e Drenagens percutâneas

Dr Nacif utiliza do USG e da TC para realização de biópsias e drenagens percutâneas dos mais diversos órgãos e estruturas do nosso corpo. 

As biópsias mais utilizadas são as biópsias oncológicas de nódulos hepáticos, pulmonares, renais, pancreáticos, no retroperitoneo e ósseas. Também é possível realizar biópsias de parênquima para estudo de doença renal ou hepática.

As drenagens mais utilizadas são das cavidades abdominais e ou pélvica e do tórax.

Estes procedimentos podem ser realizados por meio de anestesia local, sedação ou até mesmo anestesia geral dependendo do caso e complexidade.

Os procedimentos mais realizados são:

1- Biópsia de fígado

2- Biópsia de pulmão

3- Biópsias de linfonodos

4- Biópsias de tumores

5- Biópsia de rim 

6- Paracentese abdominal

7- Drenagens de cavidades peritoneais

8- Drenagens de cavidades pleurais

9- Drenagens de coleções em pós operatórios

TC e RM Cardiovascular

A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) cardiovascular são ferramentas avançadas para avaliar as estruturas cardíacas e os vasos sanguíneos. Com a TC cardiovascular, é possível obter imagens detalhadas das artérias coronárias e detectar doenças cardíacas, como a aterosclerose, além de avaliarmos as válvulas, pericárdio e o miocárdico. Já a RM cardiovascular fornece informações detalhadas sobre a função, caracterização tecidual, perfusão e detecção de fibrose. São inúmeros os trabalhos que colocam estes dois métodos como fundamentais na cardiologia moderna.

 

Com profissionais treinados e equipamentos de ponta, essas tecnologias são essenciais para melhorar a saúde e o bem-estar dos pacientes com doenças cardíacas.

Ultrassonografia

A ultrassonografia é uma ferramenta valiosa nos centros médicos, permitindo diagnósticos precisos e não invasivos. Com a habilidade de profissionais treinados, a ultrassonografia fornece imagens em tempo real do corpo humano, permitindo a detecção de doenças e lesões de forma rápida e segura. Isso possibilita tratamentos mais eficazes e melhora as chances de recuperação dos pacientes.

 

A ultrassonografia é um método fantástico que possibilita um maior contato do médico radiologista com o paciente e ainda pode ser realizado através de manobras dinâmicas além de utilização do Doppler como uma forma de diferenciação de algumas patologias.

 

Radiologia Convencional

A radiologia convencional, são os estudos com Raios-X e ainda auxiliam em muito os médicos e em diversas patologias podendo ser usado de forma dinâmica ou até mesmo com a utilização de meios de contraste.

Tomografia Computadorizada

A tomografia computadorizada (TC) é uma ferramenta fundamental nos centros médicos mais modernos, permitindo diagnósticos precisos e rápidos. Com a ajuda de profissionais altamente treinados, a TC fornece imagens detalhadas do corpo humano, permitindo a detecção de doenças e lesões em estágios iniciais. Isso possibilita tratamentos mais eficazes e melhora as chances de recuperação dos pacientes.

 

Dr Marcelo utiliza amplamente as imagens volumétricas da tomografia computadorizada multidetectores e até as imagens com reconstruções em 3D, 4D e suas múltiplas projeções oblíquas para avaliação de pacientes com diversas patologias dentre elas as doenças oncológicas, cardiovasculares, neurológicas, infecciosas e inflamatórias, também os estudos de pré e pós tratamentos sejam estes cirúrgicos ou quimioterápicos. Estamos aumentando cada vez mais e ampliando a avaliação estrutural de próteses e órteses. Este método utiliza radiação e os protocolos são todos com dose reduzida além do contraste ser o mais seguro possível na atualidade.

Ressonância Magnética

Dr Nacif possui treinamento avançado em ressonância magnética, desde desenvolvimento de sequências a suas aplicabilidades clínicas e consegue aplicar amplamente este conhecimento em todas as áreas deste incrível método. A possibilidade de realizar as os diversos avanços como estudos de perfusão, difusão, espectroscopia, mapeamento multiparamétrico em T1, T2 e T2*, avaliação de gordura e fibrose além dos estudos dinâmicos com cineRM. É possível também a realização de segunda leitura de exames já realizados focando em estudos diagnósticos de alta precisão ou até mesmo avaliações evolutivas de doenças ou tratamentos em específico.

Os exames mais realizados por Dr Nacif são:

1- RM de abdome superior para estudo avançado hepático e de vias biliares

2- RM de coração repouso e sob estresse farmacológico com ampla aplicabilidade clínica

3- AngioRM de todas as regiões do corpo com estudo detalhado

4- EnteroRM com foco nas doenças inflamatórias intestinais

5- RM em músculo esquelético

6- RM com estudos avançados em obstetrícia

7- RM com estudos avançados para endometriose

8- DefecoRM

9- RM multiparamétrica de próstata e de neoplasia renal

10- Neuroimagem avançada

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